Senado dos EUA Reafirma Compromisso com a OTAN após Ameaças de Desconexão
Grupo bipartidário de senadores se une para garantir que os Estados Unidos permaneçam firmes na aliança transatlântica, em meio a tensões com o Irã e críticas do presidente.
Na última quinta-feira, um grupo de senadores dos EUA se reuniu para reafirmar o compromisso do país com a Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN). A declaração ocorre um dia após o presidente Donald Trump sugerir a possibilidade de uma retirada da aliança, em meio a uma crescente escalada de tensões no Estreito de Ormuz.
Trump afirmou que a adesão dos EUA à OTAN não é uma questão a ser debatida, mas não pode se retirar unilateralmente, pois isso exigiria uma maioria de dois terços no Senado ou um ato do Congresso — algo que, segundo os senadores, não deve ocorrer.
Posição Bipartidária
Os senadores Jeanne Shaheen (D-NH) e Thom Tillis (R-NC), co-presidentes do Grupo de Observadores da OTAN no Senado, destacaram que qualquer tentativa de retirar os EUA da aliança seria benéfica apenas para inimigos, como Vladimir Putin e Xi Jinping. Eles enfatizaram que o Congresso não permitirá a saída dos Estados Unidos, pois é consenso que a força do país está em sua união com aliados.
A insatisfação de Trump com os aliados europeus deriva da percepção de que eles têm apoiado de forma insuficiente a campanha dos EUA e Israel contra o Irã. Enquanto isso, muitos países da Europa apontam que a falta de consulta prévia de Trump antes do início das operações militares gerou desconfiança.
Desafios no Estreito de Ormuz
O presidente pressionou repetidamente seus aliados a ajudarem a reabrir o Estreito de Ormuz, uma importante via de transporte de petróleo que o Irã bloqueou devido ao conflito. Até o momento, a OTAN hesitou em se envolver ativamente.
Embora Trump tenha desqualificado a OTAN como um “tigre de papel”, Shaheen e Tillis contradizem essa visão, relembrando o apoio da aliança aos EUA após os ataques de 11 de setembro de 2001, que resultaram na morte de aproximadamente 3.500 soldados americanos e aliados durante as duas décadas de guerra no Afeganistão.
A Voz da França
O ex-líder da maioria no Senado, Mitch McConnell, e o senador Chris Coons também se manifestaram na quarta-feira, sublinhando a importância da OTAN como parceira militar em momentos críticos. McConnell e Coons lembraram que a única vez que a OTAN foi à guerra foi em resposta a um ataque contra os Estados Unidos, pedindo que o país não subestime o valor dos sacrifícios feitos por seus aliados.
Em uma visita recente à Coreia do Sul, o presidente francês Emmanuel Macron expressou sua preocupação com a retórica de Trump, alertando que a desconfiança recorrente poderia enfraquecer a aliança. “Alianças como a OTAN são baseadas na confiança mútua. Se você gera dúvidas diárias sobre seu comprometimento, você o esvazia”, afirmou Macron.
A situação continua a evoluir, e a estabilidade das relações transatlânticas próximo a um desfecho de conflito não é garantida, o que gera incertezas tanto para os aliados quanto para a segurança global.
Fonte: www.defensenews.com







