Starmer Escapa de Investigação: Nomeação de Embaixador Conectado a Epstein Causa Polêmica

Keir Starmer evita investigação sobre nomeação de embaixador controverso em Washington

Primeiro-ministro do Reino Unido enfrenta críticas internas após demissão de Peter Mandelson.

Na terça-feira (28), o primeiro-ministro trabalhista do Reino Unido, Keir Starmer, conseguiu evitar a abertura de uma investigação parlamentar relacionada à controvérsia sobre a nomeação de Peter Mandelson como embaixador em Washington. A escolha do político é questionada devido aos laços de Mandelson com Jeffrey Epstein, o falecido criminoso sexual americano.

Starmer, que assumiu o cargo em julho de 2024, tem tentado acalmar a situação nos últimos meses. Durante a discussão na Câmara dos Comuns, a líder da oposição conservadora, Kemi Badenoch, não poupou críticas. Ela afirmou que as declarações do primeiro-ministro sobre a legalidade do processo de nomeação não foram "corretas". Badenoch apelou para que os deputados trabalhistas não seguissem a liderança de Starmer como "um rebanho de ovelhas" e aprovassem a moção.

Após mais de cinco horas de debates, os parlamentares decidiram não investigar Starmer, com 335 votos contra e 223 a favor da moção. Apesar da ampla maioria de Starmer na Câmara dos Comuns, o resultado mostra que alguns membros do Partido Trabalhista expressaram descontentamento, o que pode ser um sinal de problemas internos.

A deputada trabalhista Emma Lewell criticou a orientação de voto, afirmando que isso "alimentou a terrível ideia de que haveria algo a esconder". Na noite anterior, Starmer havia se reunido com sua bancada, pedindo unidade entre os parlamentares. Ele também rejeitou apelos para renunciar devido à controvérsia.

Em setembro de 2025, Starmer demitiu Mandelson, alegando que ele havia mentido repetidamente sobre seus vínculos com Epstein, que morreu na prisão em 2019. A polêmica ressurgiu em abril, quando o jornal The Guardian revelou que o Ministério das Relações Exteriores havia dado respaldo a Mandelson para o cargo, apesar de um parecer desfavorável na verificação de antecedentes.

Olly Robbins, ex-funcionário do Foreign Office, denunciou em uma comissão parlamentar a pressão constante de Downing Street pela nomeação de Mandelson. As motivações do parecer desfavorável não foram divulgadas, mas especula-se que estejam relacionadas aos vínculos de Mandelson com a China, por meio de sua consultoria.

Esse caso remete a investigações parlamentares anteriores, como a que envolveu o ex-primeiro-ministro Boris Johnson, durante o escândalo do "Partygate". Johnson renunciou ao assento de deputado em 2023, enquanto a investigação ainda estava em andamento.

Fonte: www.folhape.com.br