Ucrânia Lança Primeira Bomba Aérea Guiada Nacional
Novo armamento promete aumentar a capacidade de ataque no front, respondendo aos desafios impostos pela Rússia.
Uma importante novidade surge no campo de batalha da Ucrânia: o país agora conta com a sua primeira bomba aérea guiada, capaz de atingir alvos a “dezenas de quilômetros” na retaguarda inimiga. Com peso de 250 quilos, este novo armamento foi anunciado oficialmente pelo Ministério da Defesa ucraniano nesta segunda-feira.
Características do Novo Armamento
A bomba é uma arma sem motor, mas com asas, projetada para ser lançada de aeronaves a altas altitudes. Durante a queda, ela utiliza orientação por satélite para direcionar-se ao alvo, o que a torna bastante eficiente, especialmente por seu custo inferior ao de mísseis de cruzeiro por ataque. Além disso, a bomba possui cabeças explosivas maiores do que a maioria dos drones, permitindo que as aeronaves se mantenham fora do alcance das defesas aéreas mais densas.
O ministro da Defesa, Mykhailo Fedorov, afirmou em uma postagem no Telegram que a primeira bomba guiada da Ucrânia está pronta para uso em combate. Ele ressaltou que o Ministério já adquiriu um lote experimental e se prepara para implementar essa tecnologia nas linhas de frente.
Mudança de Paradigma no Armamento Ucraniano
Fedorov destacou que a Ucrânia está passando de uma dependência de soluções importadas para desenvolver suas próprias armas de alta tecnologia, oferecendo uma vantagem competitiva no campo de batalha. Até o momento, o país contava apenas com munições precisas doadas por aliados ocidentais, como os mísseis JDAM-ER dos EUA e os Storm Shadows do Reino Unido.
A fabricação caseira de bombas guiadas não só facilitará um aumento na capacidade de ataque em média distância, como também permitirá a preservação de munições ocidentais para alvos mais distantes. Essa estratégia é parte de um esforço maior para empregar tecnologia e mudar a dinâmica da guerra, após mais de quatro anos de defesa contra um inimigo maior e mais bem equipado.
Desenvolvimento Nacional e Inovação
A empresa DG Industry, pouco renomada e apoiada pelo cluster de inovação de defesa estatal Brave1, começou o desenvolvimento dessa munição há 17 meses. Criar um sistema capaz de resistir à interferência eletrônica da Rússia e garantir estabilidade em diferentes altitudes e velocidades foi um dos principais desafios enfrentados pela equipe de engenheiros.
Em comparação, as bombas russas equipadas com kits de guias utilizam corpos de mísseis da era soviética que não são otimizados para esse tipo de manobra. Já a bomba ucraniana foi projetada especificamente para o propósito de atingir fortificações e centros de comando a grandes distâncias.
Impacto do Novo Armamento no Conflito
Os novos artefatos oferecem uma vantagem adicional: ao serem lançadas de longe, elas se aproximam do alvo em alta velocidade, deixando pouco tempo para as defesas aéreas adversárias reagirem. Essas bombas, por serem menores e não motorizadas, apresentam também dificuldades para serem detectadas, como já observado no uso das bombas russas nos últimos meses.
Atualmente, a Rússia lança, em média, mais de 250 bombardeios guiados por dia contra cidades ucranianas. Recentemente, ataques em Kramatorsk resultaram em tragédias, com cinco civis mortos e doze feridos. A necessidade de inibir essa ofensiva levou o presidente Volodymyr Zelensky a classificá-las como uma das armas mais perigosas utilizadas pelo adversário.
Além disso, o custo dos novos armamentos ucranianos visa inverter a relação de custo na guerra. Enquanto uma bomba guiada de padrão russo custa apenas algumas dezenas de milhares de dólares, um interceptor avançado, como o Patriot, pode chegar a milhões.
Com isso, o Ministério da Defesa da Ucrânia afirmou que em breve as novas bombas guiadas estarão sendo usadas contra alvos inimigos, prometendo uma mudança significativa nas operações militares.
Fonte: www.defensenews.com







