Soldado Panamenho Compartilha Experiência em Missão de Contrabando de Drogas
Albis Fajardo reconta o momento que mudou sua vida e a importância do treinamento na selva
Durante uma missão de combate ao tráfico de drogas na costa do Pacífico do Panamá, o soldado Albis Fajardo e sua equipe foram alvo de tiros. O incidente, que ocorreu há mais de dez anos, deixou uma marca indelével na vida do militar, especialmente após um amigo ter sido ferido durante a operação.
Fajardo, hoje primeiro-sargento com 47 anos, se recorda do momento com intensidade. "Sentimos a adrenalina subir, mas aquela missão falhou, e um dos meus amigos foi ferido por um tiro", conta, enquanto o sol se põe sobre a Base Aeronaval Cristóbal Colón, no Panamá. O horror do episódio não apenas moldou sua carreira, mas também o levou a se tornar instrutor no Curso de Operações na Selva do Exército dos EUA, atualmente realizado no Panamá.
Treinamento na Selva
O curso, que foi interrompido em 1999, foi retomado com uma parceria entre as Forças Armadas dos EUA e do Panamá. O objetivo é treinar militares panamenhos e americanos na sobrevivência e táticas de combate na densa selva. O coronel Andrew Eagen, responsável pelo centro de treinamento do Exército dos EUA no Panamá, destaca a importância da experiência dos soldados panamenhos: "Eles são os especialistas nesse ambiente; nunca vamos alcançá-los", afirma.
A Experiência Panamenha
Os instrutores do curso são, em sua maioria, militares panamenhos que têm uma vasta experiência em lutar e sobreviver em ambientes de selva. Durante as aulas, os alunos passam por exercícios práticos que envolvem esconder-se na selva e rastrear outros grupos, sendo que a vantagem muitas vezes está com os panamenhos, que utilizam táticas sofisticadas.
Os alunos devem não só aprender a se camuflar, mas também a criar armadilhas, como um tripwire feito de cipó. Esse conhecimento é vital em um país onde os cartéis de drogas ainda operam em áreas como o temido Darién Gap, uma densa selva que faz fronteira com a Colômbia.
Cultura e Ferramentas de Sobrevivência
Os instrutores panamenhos, como Fajardo, enfatizam a importância do facão, que chamam carinhosamente de “minha esposa”, por sua utilidade em diversas atividades, desde a construção de abrigos até a preparação de alimentos. Fajardo, por exemplo, adora o sabor do ñame e de larvas, que descreve como saborosas.
Atualmente, mais de 10 militares panamenhos participam do curso, o que fortalece laços entre as tropas dos dois países. Embora a linguagem possa ser uma barreira, a troca de experiências tem sido valiosa.
O Futuro do Treinamento na Selva
Além de fortalecer os laços entre os Estados Unidos e o Panamá, essa parceria possibilita que os conhecimentos sejam compartilhados com nações vizinhas, como a Colômbia, incentivando um intercâmbio de informações e táticas entre as forças. O curso, que promete incluir alunos colombianos em breve, reflete um novo capítulo nas relações militares da região.
Eagen finaliza dizendo que o objetivo do curso é aprimorar as habilidades de sobrevivência necessárias para enfrentar os desafios que a selva impõe, sem se envolver diretamente na situação de segurança do Panamá.
Assim, a experiência de Albis Fajardo, marcada por um passado tumultuado, se transforma em um ensino que enriquece e prepara novas gerações de soldados para o complexo e desafiador ambiente da selva.
Fonte: www.defensenews.com








