Gestores de escolas públicas enfrentam dificuldades em lidar com violências como bullying e racismo
Pesquisa revela que 71,7% dos diretores têm dificuldades para abordar questões de violência nas escolas. Estudo será base para novo guia do MEC.
Uma pesquisa realizada com 136 gestores de 105 escolas públicas revelou que 71,7% dos diretores enfrentam desafios para dialogar sobre problemas como bullying, racismo e capacitismo no ambiente escolar. O estudo, conduzido pela Fundação Carlos Chagas (FCC) em parceria com o Ministério da Educação (MEC), destaca que essa é uma das principais dificuldades percebidas.
O levantamento, divulgado nesta quarta-feira (6), busca coletar informações para fundamentar um novo Guia de Clima Escolar Positivo, que será apresentado esta quinta-feira (7) no canal de YouTube do MEC.
Desafios no enfrentamento à violência
Adriano Moro, coordenador da pesquisa e especialista da FCC, observa que o manejo de situações de violência é uma questão complexa, exigindo preparo e ações bem planejadas. Um dos problemas apontados é a naturalização da violência nas escolas.
"Em alguns casos, adultos veem agressões como ‘brincadeiras’, o que minimiza a gravidade dos atos e pode resultar em omissão, quando os estudantes mais precisam de intervenção", explica Moro.
Além disso, muitos gestores destacam o desafio de envolver as famílias e a comunidade, o que aumenta a pressão sobre as escolas para lidar sozinhas com essas questões.
Aspectos do bullying
Adriano destaca ainda que a falta de uma nomenclatura adequada para o bullying impede a identificação correta de diversas formas de violência, como racismo e xenofobia. O bullying é caracterizado por agressões físicas ou psicológicas repetidas e pode causar danos sérios às vítimas.
"Quando a escola estabelece um clima positivo, ela passa a agir de forma colaborativa e preventiva, facilitando a identificação de problemas e promovendo um ambiente mais justo e seguro", ressalta.
Outros desafios identificados
A pesquisa também revelou outros dados significativos:
- 67,9% dos gestores relatam dificuldades na aproximação com famílias e comunidades.
- 64,1% enfrentam entraves para construir bons relacionamentos entre estudantes.
- 60,3% mencionam problemas no desenvolvimento do sentimento de pertencimento dos alunos e nas relações entre estudantes e professores.
Além disso, mais da metade das escolas (54,8%) nunca realizou um diagnóstico estrutural do clima escolar, considerado fundamental para a formulação de políticas de convivência.
A importância do clima escolar para a aprendizagem
A relação entre um clima escolar positivo e o desempenho pedagógico foi classificada como "muito forte" por Adriano. Um ambiente onde os estudantes se sentem respeitados e seguros é crucial para a aprendizagem. "Quando os alunos não têm medo de errar, eles aprendem melhor e desenvolvem suas habilidades com mais confiança", afirma.
Grupo de trabalho para combate ao bullying
Coincidentemente, a pesquisa foi divulgada na mesma semana em que o governo federal reestruturou um grupo de trabalho (GT) voltado para o combate ao bullying e ao preconceito na educação. Este GT, que envolve áreas técnicas do MEC, tem um prazo inicial de 120 dias para apresentar um relatório com conclusões e propostas.
Neste cenário desafiador, é vital que as escolas encontrem maneiras de promover um ambiente seguro e acolhedor, fundamental para o bem-estar e a educação de seus estudantes.
Fonte: www.folhape.com.br







