A Influência da Religião nas Eleições: Conflitos e Reações no Cenário Brasileiro
Pastores e fiéis se dividem sobre o papel da religião na política, antipatizando pela politização dos templos.
Em meio à crescente polarização política no Brasil, a opinião de pastores e fiéis vai na contramão da forte presença religiosa nas eleições. Em uma entrevista, o pastor Lucas Oliveira, de 30 anos, que atua em uma igreja batista em Nova Iguaçu, critica: “O voto deveria ser do cidadão e não da religião”. Ele está reflexo das conclusões de uma pesquisa realizada pelo Instituto de Estudos da Religião (Iser) e pela Quaest Pesquisa e Consultoria, que revela a complexa relação entre religião e política no país.
Rejeição à Politização dos Templos
Embora os evangélicos, assim como os católicos, desempenhem um papel central nas disputas políticas, a pesquisa mostra que a maioria dos entrevistados se opõe à transformação das igrejas em palanques eleitorais. Cerca de 83% dos participantes desaprovam que pastores e padres indiquem candidatos e 90% são contra a realização de campanhas eleitorais dentro dos templos. Tal oposição indica um desejo de separar a vida de fé da arena política.
Uma Nova Forma de Influência
A pesquisadora Lívia Reis, do Iser, enfatiza que, embora as igrejas não estejam diretamente orientando votos, a religião ainda molda valores e identidades que influenciam as escolhas políticas. "É mais sobre mediação religiosa do que transferência direta de votos", afirma. Desde os anos 1990, a politicagem das igrejas tem gerado divisões internas, levando os fiéis a formarem suas próprias opiniões políticas, mesmo diante de influências externas.
O Impacto da Politização nas Comunidades
Lucas Oliveira percebeu as consequências do envolvimento político nas comunidades. Ele relata que muitos pastores, que antes defendiam candidatos, agora evitam tocar no assunto devido à perda de fiéis e ao clima de descontentamento que se instaurou. "A igreja se tornou um lugar de pessoas machucadas", observa.
O pastor Moisés Blanco, da Igreja Batista Peregrina em Natal, compartilha essa visão, reclamando do uso político dos templos e destacando a importância da liberdade de consciência defendida na tradição protestante.
Uma Radiografia do Cenário Religioso
A pesquisa Iser/Quaest, que entrevistou 15 mil pessoas em 412 municípios, revela a complexidade do cenário religioso no Brasil. Os evangélicos representam 29% da população, incluindo uma maioria pentecostal. A denominação Assembleia de Deus permanece a maior, seguida por diversas outras. O catolicismo, com 50% da população, também mostra uma divisão entre católicos praticantes e não praticantes.
A Religião nas Redes Sociais
Apesar da aversão à politicização dentro da igreja, a religiosidade se faz presente nas redes sociais. Cerca de 66% dos entrevistados utilizam o WhatsApp para interagir em comunidades religiosas online. “As redes permitem que a religião entre na política de uma forma menos formal”, explica Lívia Reis.
A Intersecção da Religião e do Voto
Embora a religião não determine automaticamente o voto, ela influencia a construção de identidades e valores. Os dados mostram que, por exemplo, entre evangélicos com baixa escolaridade, a divisão entre esquerda e direita é menos clara. Questões morais, como aceitação da diversidade sexual e educação sexual, demonstram que as crenças religiosas não são uniformes.
Conclusão
Enquanto a 2026 se aproxima, o papel da religião na política brasileira permanece um assunto delicado. A tensão entre o desejo de preservar a fé e a pressão para politizar os templos continua a desafiar líderes religiosos e fiéis. O futuro das eleições poderá depender da habilidade de encontrar um equilíbrio entre esses mundos aparentemente opostos.
Fonte: agenciabrasil.ebc.com.br








