Ataque Ucraniano Danifica Fábrica de Componentes para Mísseis na Rússia
A ação pode limitar a capacidade de produção de armamentos de Moscovo, segundo documentos vazados.
Um ataque realizado pela Ucrânia, em 26 de setembro, atingiu a Azov Optical-Mechanical Plant (AOMZ), uma fábrica russa estratégica que fornece eletrônicos para diversos mísseis do país. Com isso, a Rússia pode enfrentar dificuldades na produção de armamentos, conforme apontam documentos obtidos pela empresa de inteligência privada ucraniana Dallas Analytics.
Documentos Reveladores
Os vazamentos, que cobrem o período de abril de 2023 a março de 2025, incluem comunicações internas, registros de contratos estatais e cronogramas de cooperação. Entre os materiais, um cronograma de fornecimento lista mais de 70 itens, mencionando 44 fornecedores de componentes.
A fábrica AOMZ está ligada a pelo menos sete programas de mísseis, entre eles o Kh-101, um míssil de cruzeiro, e o R-37M, um míssil ar-ar. Um documento adicional indica que a AOMZ está envolvida na produção de componentes para um míssil ar-ar, com uma parte destinada à exportação para a China.
Impactos Financeiros
Os registros estimam que os componentes que deveriam ser produzidos em 2025 tenham um valor de 583,6 milhões de rublos (cerca de US$ 6,9 milhões), com 497,6 milhões (aproximadamente US$ 5,9 milhões) já pagos antecipadamente.
A operação foi realizada com mísseis de cruzeiro Neptune e drones, causando danos em instalações industriais e residenciais na cidade de Azov. O governador de Rostov, Yuri Slyusar, confirmou o ataque, mas não mencionou especificamente a AOMZ como alvo, e as autoridades russas não confirmaram os danos.
Consequências para o Programa de Mísseis Russo
A AOMZ, segundo a Dallas Analytics, é responsável pela produção de componentes essenciais do míssil Kh-101, incluindo o sistema de navegação e o bloco de automação de voo, e não teria fornecedores alternativos para tais itens. Este míssil tem sido amplamente utilizado em ataques contra cidades e infraestrutura energética na Ucrânia.
Documentos analisados pela Defense News revelam um cronograma de produção que inclui componentes para o míssil R-37 e uma versão de exportação do Kh-38. A AOMZ também recebe microcircuitos da TRV-Engineering, que é identificada como um canal para importação de microeletrônicos estrangeiros.
Sanções e Desafios
Desde abril de 2022, os Estados Unidos e diversos países, incluindo a União Europeia e o Reino Unido, impuseram sanções à AOMZ. Apesar disso, a Dallas Analytics aponta que a fábrica ainda opera por meio de intermediários e empresas de fachada para a aquisição de componentes globalmente.
Enquanto isso, um documento do KTRV, datado de março de 2025, destaca a demanda urgente das Forças Aeroespaciais da Rússia por novos fornecimentos, incluindo 500 blocos eletrônicos por ano e 1.000 estruturas de mísseis R-37M.
O cenário continua a evoluir à medida que a guerra entre Ucrânia e Rússia avança, com implicações significativas nas capacidades militares de Moscovo.
Fonte: www.defensenews.com








