Um novo alerta da agência sanitária da França reforça o que especialistas já vinham apontando: redes sociais prejudicam a saúde de adolescentes, sobretudo a saúde mental das meninas. O parecer da Agência Nacional de Segurança Sanitária (ANSES) foi divulgado em um momento em que o país discute proibir o acesso de menores de 15 anos a plataformas como Facebook, Instagram, TikTok e Snapchat.
O relatório francês integra um debate global sobre o impacto das redes sociais na vida dos jovens e chega logo após a Austrália restringir o uso dessas plataformas por menores de 16 anos.
Estudo francês aponta efeitos negativos das redes sociais
Segundo a ANSES, embora as redes sociais não sejam a única causa da deterioração da saúde mental, seus efeitos negativos sobre adolescentes são “vários” e estão bem documentados. O alerta se baseia em cinco anos de trabalho de um comitê de especialistas e reúne dados de cerca de mil estudos científicos.
Entre os principais pontos destacados:
- aumento de sintomas de ansiedade, depressão e baixa autoestima;
- exposição constante a conteúdos de risco e comportamentos nocivos;
- amplificação de estereótipos de gênero e padrões irreais de beleza;
- intensificação de cyberbullying (assédio on-line).
A agência define as redes sociais, acessadas via smartphone — às quais metade dos jovens de 12 a 17 anos dedica de duas a cinco horas por dia — como uma “caixa de ressonância inédita” para esses problemas.
Meninas e grupos vulneráveis são os mais afetados
O alerta francês enfatiza que, quando se observa que redes sociais prejudicam a saúde dos adolescentes, o impacto é ainda maior entre:
- meninas, que usam mais as redes sociais e sofrem maior pressão por padrões de beleza e comportamento;
- pessoas LGBTQIA+, que ficam mais expostas a ataques, preconceito e exclusão;
- jovens que já apresentam transtornos de saúde mental, como ansiedade, depressão ou histórico de automutilação.
Entre os riscos citados, estão:
- comparação constante com corpos e vidas “perfeitas” exibidas on-line, muitas vezes em imagens editadas digitalmente;
- aumento da insatisfação corporal;
- risco de surgimento ou agravamento de transtornos alimentares;
- reforço de papéis de gênero rígidos e estereótipos de feminilidade e masculinidade.
De acordo com o relatório, meninas sofrem maior pressão social associada a esses estereótipos, o que as torna mais vulneráveis aos efeitos nocivos das redes.
Algoritmos, persuasão e responsabilidade das plataformas
Para a agência francesa, não basta apenas limitar o tempo de tela ou responsabilizar famílias e escolas. O parecer defende mudanças estruturais nas próprias plataformas, já que redes sociais prejudicam a saúde dos adolescentes também pelo modo como são construídas e operam.
Entre as recomendações, a ANSES propõe:
- que as redes sociais sejam projetadas e configuradas para proteger a saúde dos menores;
- revisão dos algoritmos que priorizam conteúdos engajadores, mas potencialmente nocivos;
- mudanças em técnicas de persuasão, como notificações constantes e mecanismos de vício;
- ajustes nas configurações padrão de privacidade e segurança, com mais proteção para perfis de adolescentes.
Na visão da agência, é preciso “atuar na raiz” do problema, e não apenas em seus efeitos, o que inclui repensar arquitetura, lógica de recomendação e práticas de engajamento.
França discute proibição de redes para menores de 15 anos
Enquanto o relatório vem a público, o Parlamento francês discute projetos de lei para proibir o acesso de menores de 15 anos a redes sociais. Duas propostas estão em debate na Assembleia Nacional.
O movimento segue uma tendência internacional de maior regulação. A Austrália, por exemplo, já estabeleceu um limite de 16 anos para uso de redes sociais, em um modelo mais rígido de controle de idade.
Essas iniciativas indicam que governos começam a tratar, de forma mais direta, a preocupação de que redes sociais prejudicam a saúde dos adolescentes quando não há controles adequados de conteúdo, idade e tempo de uso.
FAQ – Redes sociais e saúde dos adolescentes
O que o órgão francês disse sobre redes sociais e saúde dos adolescentes?
A agência sanitária da França afirmou que redes sociais prejudicam a saúde dos adolescentes, especialmente a saúde mental das meninas. O órgão alerta para ansiedade, depressão, baixa autoestima, transtornos alimentares e maior exposição ao cyberbullying.
Por que as meninas são mais afetadas pelas redes sociais?
De acordo com o relatório, as meninas usam mais as redes sociais e sofrem mais pressão social ligada a estereótipos de gênero e padrões irreais de beleza. Isso aumenta o risco de insatisfação corporal, baixa autoestima e problemas emocionais.
Quanto tempo os adolescentes passam nas redes sociais?
Segundo a ANSES, cerca de metade dos jovens de 12 a 17 anos passa de duas a cinco horas por dia nas redes sociais pelo smartphone, o que amplia a exposição a conteúdos nocivos.
A França vai proibir redes sociais para menores de 15 anos?
A França discute projetos de lei para proibir o acesso de menores de 15 anos às redes sociais. As propostas ainda estão em debate na Assembleia, mas fazem parte de um movimento de regulação inspirado em medidas adotadas por países como a Austrália.
O que pode ser feito para reduzir os impactos das redes sociais na saúde dos adolescentes?
O órgão francês defende que as plataformas sejam redesenhadas para proteger os menores, com mudanças em algoritmos, notificações e configurações padrão. Além disso, recomendam-se:
supervisão familiar e escolar;
educação digital e emocional;
limites de tempo de uso;
apoio psicológico quando surgirem sinais de sofrimento mental.

Rafael Monteiro é jornalista especializado em negócios e inovação, com 15+ anos de experiência em cobertura econômica, empreendedorismo e mercado corporativo. Atuou em redações de portais e revistas de finanças, assessorias de imprensa e projetos de conteúdo para empresas de médio e grande porte, acompanhando de perto temas como gestão, marketing, finanças, tecnologia aplicada aos negócios e ambiente regulatório.









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