CFM Proíbe Uso de PMMA em Procedimentos Estéticos
Somente Tratamentos de Lipodistrofia em Pacientes com HIV/Aids Estão Isentos da Nova Regulamentação
O Conselho Federal de Medicina (CFM) decidiu, nesta sexta-feira (29), proibir o uso de polimetilmetacrilato, conhecido como PMMA, para finalidades estéticas ou reparadoras. Essa substância, utilizada como preenchedor em diversas intervenções estéticas, agora só poderá ser aplicada em casos de lipodistrofia em pacientes com HIV/Aids, e em unidades de saúde credenciadas pelo Sistema Único de Saúde (SUS).
Proibição Efetiva a Partir de Junho
A resolução do CFM será publicada oficialmente na próxima terça-feira, 2 de junho. Para esclarecer detalhes sobre a proibição, o presidente do CFM, José Hiran da Silva Gallo, e a cirurgiã plástica Graziela Bonin, relatora da resolução, darão uma coletiva na segunda-feira, 1º de junho.
Essa decisão vem depois do pedido formal do CFM à Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) para restringir o uso do PMMA, que é um tipo de plástico usado em diversas situações, inclusive em preenchimentos cutâneos.
Riscos Associados ao PMMA
A Anvisa já havia recomendado que as aplicações fossem feitas apenas por profissionais médicos capacitados e em doses controladas. Apesar das regulamentações, o uso do PMMA tem se mostrado arriscado. Vários casos de complicações severas, incluindo mortes, foram registrados.
Na última terça-feira, um caso trágico em São Paulo chamou atenção: uma mulher faleceu após um procedimento de preenchimento com PMMA nos glúteos e coxas. Outros casos notórios incluem a influenciadora Aline Maria Ferreira da Silva, que perdeu a vida aos 33 anos em julho de 2024, e a modelo Andressa Urach, que sobreviveu a complicações graves após o uso de PMMA.
Efeitos Colaterais e Complicações
Especialistas alertam para os riscos associados ao uso da substância. A Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD) enfatiza que o PMMA pode ocasionar reações imediatas, como inchaços e inflamações, e efeitos a longo prazo, que podem surgir anos após a aplicação.
A cirurgiã plástica Marcela Cammarota, da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica (SBCP), reforça que a utilização de PMMA deve ser evitada em procedimentos estéticos. Microesferas de PMMA podem ser absorvidas ou provocar inflamações, e a remoção em caso de complicações é complexa e dolorosa. Além disso, doses altas podem resultar em necrose, devido à compressão de vasos sanguíneos.
Os riscos não param por aí; infecções também estão entre as possíveis complicações, uma vez que bactérias podem penetrar no organismo durante o procedimento e se fixar ao material, tornando difícil o tratamento.
Com essa nova regulamentação, o CFM reforça seu compromisso com a segurança dos pacientes e a necessidade de rigor nos procedimentos estéticos realizados no Brasil.
Fonte: www.folhape.com.br








