Secretário de Defesa dos EUA Gera Controvérsia ao Interpretação de Ceasefire com o Irã
Debate acalorado no Senado envolve interpretação da legislação sobre operações militares.
Em uma audiência no Senado, o Secretário de Defesa dos Estados Unidos, Pete Hegseth, causou polêmica ao afirmar que o atual cesse-fogo com o Irã suspende temporariamente a exigência de consentimento do Congresso para a continuidade das operações militares. Ele argumentou que essa pausa na hostilidade impede o "relógio" que, sob a legislação americana, obriga o presidente a buscar a aprovação dos legisladores após 60 dias de ação militar.
Durante a audiência na Comissão de Serviços Armados do Senado, Hegseth declarou que, ao entrar em um cesse-fogo, o prazo de 60 dias não se aplicaria. O senador Tim Kaine, do Partido Democrata, contestou essa interpretação, afirmando que ela não encontra respaldo na legislação vigente.
Legislação de Poderes de Guerra
A discussão gira em torno da Resolução dos Poderes de Guerra de 1973, que estipula que o presidente deve informar o Congresso em até 48 horas após o início de operações militares. Após essa comunicação, o presidente tem 60 dias para terminar o uso da força a menos que receba autorização para uma prorrogação.
Essa sexta-feira marca exatamente 60 dias desde que a administração Trump notificou o Congresso sobre os ataques ao Irã. Embora a lei permita um pedido de extensão de 30 dias, não está claro se o presidente fará tal solicitação.
Comunicação com o Congresso
Um oficial da Casa Branca destacou que a administração está "em conversas ativas" com os legisladores sobre o assunto. A porta-voz Anna Kelly também comentou que o presidente tem se mostrado transparente com o Congresso, afirmando que ele prefere sempre a diplomacia.
Conflitos na Audiência
Hegseth, em sua segunda aparição consecutiva no Capitólio, criticou membros do Congresso que, segundo ele, estão minando os esforços militares dos EUA. Ele descreveu a principal ameaça à segurança nacional não como um país estrangeiro, mas como “as palavras derrotistas de alguns democratas e até de alguns republicanos”.
A audiência se tornou mais intensa quando um manifestante interrompeu Hegseth, chamando-o de "criminoso de guerra", sendo posteriormente retirado pela polícia do Capitólio.
Críticas ao Poder Militar dos EUA
O senador Jack Reed, também membro da comissão, disse que as declarações de Hegseth exageram as conquistas do exército americano. Reed enfatizou que o regime iraniano ainda mantém estoques de urânio enriquecido e um programa nuclear ativo, questionando se as informações dadas ao presidente estão mais alinhadas com o que ele deseja ouvir, em vez do que realmente precisa.
Essa troca de acusações sublinha a tensão crescente entre os legisladores e a administração sobre a condução da política externa dos EUA, especialmente no que diz respeito ao Irã. As próximas semanas poderão trazer consequências significativas, à medida que a situação evolui.
Fonte: www.defensenews.com







