General Ucraniano Impõe Limite de Tempo para Ingressos em Linhas de Frente
Decisão surge após críticas à condição de soldados, que enfrentam escassez de alimentos e longas permanências em combate.
Na última quinta-feira, o general Oleksandr Syrskyi, chefe do exército ucraniano, determinou um prazo obrigatório de dois meses para os soldados que estão em posições de combate. Essa medida foi anunciada após a divulgação de fotos de soldados em estado de desnutrição, que geraram indignação em todo o país.
Medida necessária em meio à guerra
O decreto é uma resposta a um desafio central enfrentado pelas forças ucranianas, que estão em seu quinto ano de conflito com a Rússia. O general destacou que a presença predominante de drones nas batalhas, ao longo de uma frente de 1.200 km, complicou a logística militar e alterou significativamente as operações de combate.
Syrskyi enfatizou a importância da rotação dos soldados: “Os comandantes devem garantir que existam condições para que os militares permaneçam em suas posições por até dois meses, seguidos de uma rotação obrigatória, que deve ocorrer em um mês”, afirmou. Segundo ele, a rotatividade não apenas organiza a presença da tropa, mas também preserva a vida dos soldados e a estabilidade da defesa.
Soldados em situação crítica
Esta determinação ocorre após familiares de integrantes da 14ª Brigada Mecanizada, recém-despedida, divulgarem imagens de seus entes queridos debilitados, alegando que eles estavam há meses na linha de frente sem acesso regular a alimentos ou água. Em algumas situações, os soldados precisavam beber água da chuva para se manter.
Na sequência, o Estado-Maior da Ucrânia demitiu os comandantes da brigada, em resposta às graves denúncias. Syrskyi acrescentou que as avaliações médicas e o fornecimento adequado de alimentos e munições para os soldados são partes essenciais de sua nova ordem.
Desafios de logística e moral
Os relatos de longas permanências nas linhas de frente evidenciam um problema logístico significativo. A chamada “zona de morte”, que se estende por várias dezenas de quilômetros, torna extremamente perigosas as rotações de tropas e o reabastecimento.
Olha Reshetylova, defensora militar da Ucrânia, comentou que falhas logísticas, como as enfrentadas pela 14ª Brigada, são raras, mas os longos períodos em posições avançadas permanecem como um grande desafio.
Reações à nova ordem
A decisão de Syrskyi foi bem recebida por alguns setores. A ativista e voluntária militar Maria Berlinska elogiou a medida, classificando-a como “razoável e humana”, embora a implementação efetiva ainda seja incerta devido à falta de recursos do exército.
A Ucrânia enfrenta uma escassez de pessoal, exacerbada pela diminuição do entusiasmo pelo serviço militar, em meio a relatos de treinamento inadequado e pressão nas ações de recrutamento. As forças armadas ucranianas lutam para conter os avanços consistentes das tropas russas na região leste de Donetsk, enquanto especialistas apontam que a gestão das unidades precisa ser mais eficiente para lidar com a situação desafiadora.
Fonte: www.defensenews.com





