Senador Jaques Wagner é Investigado por Viagem a Ilha da Paixão
Mensagens de agradecimento entre sua esposa e empresário levantam suspeitas de favoritismo
O senador Jaques Wagner (PT-BA) e sua esposa, Maria de Fátima Carneiro de Mendonça, estão no centro de uma investigação relacionada a uma viagem feita em outubro de 2023 para a Ilha da Paixão, na Bahia. O deslocamento ocorreu em uma aeronave de Augusto Lima, ex-sócio de Daniel Vorcaro, do Banco Master.
As informações vêm à tona em um relatório da Polícia Federal, divulgado na última quinta-feira, 30, pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal. A viagem é investigada por possíveis vantagens concedidas por gestores do Banco Master ao senador e a sua família.
História da Viagem
De acordo com a PF, a programação da viagem começou no dia 11 de outubro. Nesse dia, Jaques Wagner confirmou a Augusto Lima que ele e Maria de Fátima estavam dispostos a participar do encontro no sábado seguinte. "Tudo indica que Fatinha topa ir no sábado", disse o senador em uma mensagem de áudio.
Dois dias depois, Lima enviou detalhes sobre a aeronave e a programação do voo. A PF afirma que as evidências coletadas, incluindo mensagens e fotografias compartilhadas em um grupo de WhatsApp chamado "Família Brahia", confirmam que o casal esteve na Ilha da Paixão na data prevista.
Mensagens de Agradecimento
Após a viagem, Maria de Fátima enviou mensagens a Augusto, expressando sua gratidão. "Obrigada sempre e firme sempre no que você quer", escreveu ela, ressaltando ainda: "A gente ama vocês". Augusto respondeu com carinho: "Amamos vocês!! Bj no coração".
Essas comunicações evidenciam uma relação próxima entre o senador e o empresário. Contudo, não está claro o que Maria de Fátima quis dizer ao afirmar que estaria "firme sempre" em relação ao que Augusto desejasse, sem vínculo explícito a qualquer ação política ou financeira.
Questões Sobre Propriedade
A Ilha da Paixão, onde ocorreu a reunião, não estava oficialmente registrada no nome de Augusto Lima, mas a PF indica que ele mantinha controle sobre o imóvel, o que levanta questões sobre sua posse. A investigação aponta ainda para outras viagens em que Wagner utilizou aeronaves ligadas a Augusto ou a pilotos associados ao Banco Master.
Apesar das especulações, a PF não encontrou evidências de pagamento ou compensação financeira para Wagner em troca dos transportes. Até o momento, o material analisado não constitui prova definitiva de corrupção, porém, os investigadores continuam a apurar as relações entre o senador e os empresários envolvidos.
A defesa de Jaques Wagner ainda não se manifestou sobre as acusações, embora o senador já tenha negado anteriormente qualquer favorecimento ao banqueiro. A situação continua se desenrolando e aguarda novos desdobramentos.
Fonte: www.folhape.com.br








