Falhas de Manutenção e Cultura Organizacional são Causas da Queda de Aeronave da Voepass em 2024
Investigação do Cenipa revela que defeitos no sistema e falta de comunicação contribuíram para a tragédia que resultou na morte de 62 pessoas.
No dia 9 de agosto de 2024, a queda do turboélice PS-VPB, da Voepass, em Vinhedo, interior de São Paulo, deixou um trágico saldo de 62 mortos, entre eles quatro tripulantes. As investigações do Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa), divulgadas nesta quinta-feira (23), apontaram várias falhas mecânicas e uma preocupante cultura organizacional na companhia.
Insuficiência nas Manutenções
A aeronave, que havia partido de Cascavel, no Paraná, em direção ao aeroporto de Guarulhos, passou por manutenção de rotina antes do voo. Entretanto, segundo os investigadores, existiram “várias fragilidades nas atividades de manutenção” durante os voos anteriores, que mostraram a presença de gelo e falhas no sistema de degelo, sem que essas informações fossem documentadas.
Os dados revelaram que os alertas de falha eram frequentemente ignorados pelas tripulações. O Tenente-Coronel Fróes, responsável pela investigação, destacou que o comportamento de normalizar desvio de procedimentos se repetiu em diferentes voos e equipes, revelando uma grave falha cultural dentro da empresa.
Cultura Organizacional Prejudicial
O Cenipa identificou que pilotos e copilotos frequentemente desativavam os alertas do sistema e não relataram as falhas detectadas, contribuindo para a tragédia. "Essa ocorrência teve um peso elevado da parte da cultura organizacional", afirmou o Brigadeiro do Ar Avellar, chefe do Cenipa, ressaltando que, dos 19 fatores que levaram ao acidente, a cultura organizacional foi um dos mais significativos.
Alertas Ignorados e Consequências
Durante o voo, o sistema alertou várias vezes sobre o acúmulo de gelo, indicando uma queda na velocidade devido ao peso do gelo acumulado. Apesar de os pilotos terem acionado o sistema de degelo, ele falhou, e a medida correta de reiniciar o sistema não foi tomada. Ao invés de alterar o plano de voo, a equipe continuou na mesma trajetória, mesmo sabendo dos riscos.
Adicionalmente, a aeronave apresentou um problema nos limpadores de para-brisa, o que já limitava seu voo a condições específicas, causando ainda mais complicações.
Desempenho da Tripulação em Questão
Com a iminente autorização para pouso e a acumulação de problemas, a resposta dos pilotos foi comprometida. "O cérebro não consegue gerenciar aquelas informações em excesso", observou Fróes, explicando como a pressão do momento pode ter influenciado na tomada de decisões.
Os erros acumulados, junto à falta de uma resposta eficaz, resultaram na perda de controle da aeronave, que colidiu com o solo.
Para acessar o relatório completo do Cenipa, clique aqui.
Fonte: agenciabrasil.ebc.com.br







