Recuperação das Munições dos EUA: Análise Revela Anos para Reconstruir Estoques Após Conflito com o Irã

EUA Precisam de Pelo Menos Três Anos para Repor Armamentos Após Conflito com o Irã

Análise revela que inventários de mísseis estão críticos e expõem vulnerabilidades em segurança nacional

Os Estados Unidos enfrentarão um longo processo de recuperação de suas capacidades de armamento, após a intensa campanha de bombardeio de 38 dias contra o Irã. Segundo um estudo do Centro para Estudos Estratégicos e Internacionais (CSIS), a reposição completa de sistemas críticos de armas pode levar pelo menos três anos.

A Escassez de Munições

O estudo, divulgado na quarta-feira, destacou que a drástica diminuição dos estoques de armamentos criou um cenário de vulnerabilidade, especialmente em relação a um possível conflito no Pacífico. A pesquisa alerta que, embora os EUA ainda tenham munições suficientes para cenários plausíveis no conflito com o Irã, a velocidade de reposição dos estoques é uma preocupação crescente.

Durante a Operação Epic Fury, o Comando Central dos EUA relatou a destruição de mais de 12.000 alvos, o que resultou em uma significativa redução do estoque de Mísseis de Ataque Terrestre Tomahawk (TLAM) e de dois interceptores essenciais: o Terminal High Altitude Area Defense (THAAD) e o Patriot.

Estimativas Preocupantes

O think tank estima que mais de 1.000 mísseis Tomahawk foram lançados, valor que supera em muito a média anual de 86 unidades adquiridas nos últimos dez anos, o que indica que a reposição poderá se estender até 2030 ou 2031. Além disso, até 290 interceptores THAAD foram usados, com a recuperação dos estoques acontecendo apenas entre 2029 e 2030.

O Pentágono não detalhou publicamente a escala da munição utilizada antes do cessar-fogo entre Washington e Teerã, implementado em 7 de abril, por questões de segurança operacional. Contudo, o controlador interino do Departamento de Defesa, Jules Hurst III, revelou recentemente que o conflito custou cerca de 29 bilhões de dólares, com despesas adicionais ainda previstas.

O Desafio do Tempo

Os autores do relatório apontam que o principal desafio atualmente não é financeiro, mas sim temporal. É necessário tempo para expandir a capacidade de produção e construir esses sistemas complexos. Assim, há uma janela de vulnerabilidade que poderá se estender por vários anos até que os estoques se restabeleçam.

A análise também menciona que a China está ciente de sua falta de experiência em combate recente, o que pode ajudar a manter a dissuasão até que os estoques de munições sejam restabelecidos.

Reação do Governo dos EUA

Em resposta à situação, a secretária adjunta de imprensa da Casa Branca, Anna Kelly, afirmou que as forças armadas dos EUA "têm mais do que o suficiente" em termos de munições e estoques para atender às metas estratégicas do presidente. Kelly também ressaltou que o presidente Trump tem incentivado contratantes de defesa a aumentar a produção de armamentos feitos nos EUA.

Recentemente, Trump se reuniu com executivos de grandes contratantes de defesa como Boeing e Lockheed Martin para discutir a ampliação da capacidade produtiva, informando que os CEOs concordaram em quadruplicar a produção de armamentos de alta qualidade.

O Secretário de Defesa, Pete Hegseth, que admitiu que a reposição do arsenal do Pentágono levará "meses e anos", dependendo do sistema, destacou que o processo já está em andamento. Durante uma reunião de gabinete, Hegseth afirmou que os fabricantes de defesa estão investindo em novas fábricas e linhas de produção, acelerando a entrega de armamentos.

A complexidade do cenário atual levanta questões cruciais sobre a capacidade dos EUA em responder a ameaças, enquanto trabalha para restaurar e modernizar sua capacidade militar.

Fonte: www.defensenews.com