Vítima de LGBTfobia em Shopping de Jaboatão: Relato Impactante e Repercussões do Caso

Ataque de LGBTfobia em Jaboatão: corretor imobiliário narra agressão em shopping

Após tentativa de defender funcionária de supermercado, jovem enfrenta consequências emocionais e jurídicas

Na noite do último dia 29 de abril, a rotina tranquila de Daniel Estevam, um corretor imobiliário de 24 anos, foi brutalmente interrompida durante uma visita ao Shopping Guararapes, em Jaboatão dos Guararapes, Grande Recife. O que deveria ser uma sessão de cinema com uma amiga se transformou em um episódio violento de LGBTfobia.

Um gesto de empatia que desencadeou a violência

A situação começou na seção de hortifruti do Carrefour, onde Daniel presenciou um cliente em uma cadeira de rodas agredindo verbalmente uma funcionária. Revoltado, ele decidiu registrar o momento com seu celular. Assim que o homem percebeu que estava sendo filmado, a agressão passou a direcionar-se a Daniel.

"Ele me chamou de ‘gaysinho’, ‘arrombado’, ‘baitola’ e usou outras ofensas homofóbicas", recorda. A tensão rapidamente se transformou em violência física, com o agressor desferindo tapas no rosto de Daniel. Ao tentar um terceiro golpe, o homem se desequilibrou e caiu da cadeira.

Reações chocantes

O desfecho da agressão surpreendeu quem estava presente. Após sua queda, o agressor não hesitou em comemorar a violência: "Vou ali tomar uma cervejinha para comemorar", disse ele, enquanto se afastava para beber na área do supermercado. Daniel, contido pelos seguranças, viu o homem retornar armado com uma garrafa, tentando atacá-lo novamente, mas foi impedido por membros da equipe da loja.

Aparentemente, essa não foi a primeira vez que o suspeito se envolveu em brigas no local. Funcionários informaram a Daniel que o homem tinha um histórico de conflitos.

Frustração com a resposta policial

Quando a Polícia Militar finalmente chegou, a frustração de Daniel aumentou. "Eles me disseram que não era para eu perder tempo, que o cadeirante seria liberado e que não ia acontecer nada. Foi desmotivador", desabafa.

Uma batalha emocional

Além das dores físicas e verbais, Daniel agora enfrenta um profundo impacto psicológico. Bissexual, ele viveu um conflito interno ao longo de sua vida, influenciado por uma criação religiosa e medos de aceitação familiar. Essa experiência foi exacerbada pela repercussão nas redes sociais, onde os vídeos do ataque alcançaram milhões de visualizações. "O meu medo era que minha mãe soubesse e, infelizmente, ela acabou descobrindo", lamenta Daniel.

Assistência jurídica e consequências

A Comissão de Cidadania e Direitos Humanos da Assembleia Legislativa de Pernambuco (Alepe) está acompanhando o caso e designou um grupo para fornecer suporte jurídico a Daniel, garantindo que não haja impunidade.

A administração do Shopping Guararapes se limitou a afirmar que não foi formalmente acionada, enquanto o Carrefour divulgou uma nota repudiando a agressão e afirmando seu compromisso com um ambiente seguro para todos.

As investigações pela Polícia Civil de Pernambuco já estão em andamento, com formalização do caso ocorrendo no dia 4 de maio, buscando esclarecer os detalhes do ataque.

A situação da LGBTfobia no Brasil

Entre 2014 e 2023, os casos de violência contra pessoas homossexuais e bissexuais no Brasil aumentaram 1.193%. Em 2024, Pernambuco ocupou a 7ª posição em homicídios de pessoas trans, com um reportado de oito mortes no estado. Esses dados alarmantes mostram como a LGBTfobia permanece uma questão crítica na sociedade brasileira.

Daniel agora caminha em direção à recuperação, consciente das lutas que ainda precisa enfrentar, enquanto o caso continua a ressoar na comunidade e nas redes sociais, levantando discussões sobre aceitação e justiça.

Fonte: www.leiaja.com