Por que a Falta de Investimentos Pode Arruinar a Meta da Venezuela de se Tornar uma Potência Gasífera?

Venezuela Enfrenta Desafios para Aumentar Produção de Gás Natural

Baixo investimento e infraestrutura deficiente dificultam o caminho para se tornar uma potência no setor gasífero.

Em um cenário que promete ser transformador, a Venezuela, país rico em gás natural, enfrenta obstáculos significativos para expandir sua produção. Durante uma reunião realizada em Caracas nesta quarta-feira (30), representantes de empresas do setor apontaram que o baixo financiamento e a precariedade da infraestrutura são os principais desafios a serem superados.

Recentemente, o governo venezuelano firmou acordos com empresas, tanto nacionais quanto estrangeiras, para desenvolver novos campos de gás e ampliar as exportações. Essas iniciativas surgem após anos de estatização que estagnaram o setor durante o regime chavista.

A presidente interina Delcy Rodríguez afirmou que a Venezuela está a caminho de se consolidar como uma "potência gasífera". Essa declaração ecoa promessas feitas por seu antecessor, Nicolás Maduro, que foi detido em uma operação militar dos Estados Unidos em janeiro deste ano.

Infraestrutura em Crise

No entanto, as aspirações da Venezuela esbarram em deficiências significativas no setor. Empresários e executivos destacaram que uma grande quantidade de gás continua sendo queimada ou liberada na atmosfera devido à falta de infraestrutura adequada.

Francisco Martínez, gerente coordenador da Cardón IV, operada pela Repsol, explicou a necessidade urgente de melhorias no sistema de transporte do gás. Atualmente, a Cardón IV produz 580 milhões de pés cúbicos de gás por dia, ou seja, apenas um terço do total produzido no país.

“É possível recuperar a produção, mas a falta de condições adequadas para o transporte até as plantas de processamento é um obstáculo que não podemos ignorar”, enfatizou Martínez durante a Cúpula Internacional de Petróleo e Gás da Venezuela (VIOGS 2026).

Projetos Estagnados

Além disso, o diretor-geral de Hidrocarbonetos do Grupo Valesco, Erwin Hernández, chamou a atenção para o fato de que, das 118 plantas compressoras de gás localizadas em Monagas, apenas 35 estão operando, o que limita o aproveitamento do recurso na região, considerada o coração da produção de gás natural no país.

Outro projeto em destaque é o gasoduto binacional Antonio Ricaurte, que conecta a Venezuela à Colômbia. Esse empreendimento está atrasado devido à falta de acordos políticos entre os dois países. Luz Stella Murgas, presidente da Naturgas, associação colombiana do setor, pediu a reabertura rápida do gasoduto, que requer uma licença dos Estados Unidos e um investimento de pelo menos US$ 66 milhões.

Segundo Sandra Conde, diretora de transporte e gás do Banco de Desenvolvimento da América Latina e Caribe, o país enfrenta dificuldades para atrair financiamento externo, complicando ainda mais o cenário.

Expectativas Futuras

O presidente da Associação Venezuelana de Processadores de Gás, Luis Alberto Terrero, observou que é "dificilmente" viável integrar novos volumes de gás no país antes de 2026. Os projetos planejados só devem iniciar no segundo semestre de 2027, evidenciando um longo caminho até que a Venezuela possa atender suas ambições no setor gasífero.

Fonte: www.folhape.com.br